C̶o̶r̶a̶, Amon e DJ Ketzal formam os Subnoia, um trio virado para o trip hop e o downtempo que já lançou um par de singles — “Ninguém” e “Adorno” — que irão culminar num EP a lançar em breve. Esta sexta-feira, 4 de Abril, o grupo levanta o véu em torno do projecto com um concerto no Maus Hábitos, no Porto. Os bilhetes estão à venda por 8€.
Para anteciparem esta data, mas também explicarem como surgiu a ideia de formar uma banda, de que forma se desenrolou o processo criativo e darem pistas sobre o que aí vem, os Subnoia responderam a algumas questões do Rimas e Batidas.
O grupo surgiu a partir da formação ao vivo da C̶o̶r̶a̶. Como e quando é que decidiram que fazia sentido ser um projecto específico com um nome próprio, assumidamente virado para o trip hop e para o downtempo?
[C̶o̶r̶a̶] Eu e o Ketzal tocamos juntos desde que entrei para a Pipa de Vinho. Entretanto conheci o Amon, quando comecei a tocar sozinha foi ele que me ajudou a entender como formatar o meu espectáculo e acabou por evoluir. Ele enviou-me beats, eu enviei maquetes, e de repente estávamos a fazer música. Foi uma amizade que floresceu naturalmente e claro que o Ketzal tinha que participar, tem-me acompanhado todos estes anos. Subnoia nasce de uma amizade inesperada entre três pessoas muito diferentes mas que partilham o gosto pelo trip hop, por isso fazia todo o sentido ser uma banda.
O que é que podemos esperar deste concerto no Maus Hábitos?
[Amon] Neste concerto no Maus Hábitos vamos tocar o EP novo na totalidade pela primeira vez. Algumas músicas já tínhamos apresentado mas esta data vai servir para experimentarmos as faixas num contexto ao vivo na sua totalidade. Penso que vai ser muito útil para percebermos como a cena funciona e ainda podermos talvez moldar o EP um pouco antes de sair do forno.
Vai haver mais datas em breve?
[C̶o̶r̶a̶] Sim! Vamos estar no SHE em Évora dia 26 de Abril, dia 30 de Maio no Impulso nas Caldas da Rainha e dia 7 de Junho vamos tocar em Lisboa, num local a anunciar em breve. Para já são estas as datas fechadas.
Já têm uma data prevista para o EP? E um título?
[C̶o̶r̶a̶] O nosso EP de estreia vai ter o título de Anamnese, gostávamos de poder anunciar oficialmente uma data no final deste mês.
Como funcionou o processo criativo para construírem as canções?
[Amon] Começando pelo sampling do mais variado tipo de áudios até à gravação de instrumentos acústicos ou eléctricos, fui fazendo os beats com um género de proposta para a estrutura das músicas. Numa fase ainda bastante inicial, passava os beats à C̶o̶r̶a̶, para os quais ela escrevia e enviava-me maquetes. A partir das maquetes, as músicas começam a materializar-se e a sugerirem-me caminhos para acrescentar instrumentos (ou retirá-los) ou criar momentos diferentes. De seguida, passávamos à gravação final da C̶o̶r̶a̶ já com os arranjos muito perto daquilo que a música iria ser. Depois juntámos os scratches do Ketzal em momentos mais vazios e, noutras ocasiões, criámos esses momentos para a sua intervenção. O processo criativo para a construção das músicas foi esse, não esquecendo que a mistura também desenrola um papel importantíssimo no carácter das mesmas.
Diriam que as restantes faixas que têm estão na linha de “Ninguém” e “Adorno”?
[Amon] É possível dizermos que o EP se desenrola um pouco mais perto do universo do “Ninguém” do que do “Adorno”. Essas foram as duas primeiras músicas que fizemos e apesar de considerarmos que este EP está bastante coeso, é inegável como a organicidade foi sendo mais oleada na construção das últimas músicas. Na verdade, já temos mais músicas do que as que vão estar no EP, e estamos já a trabalhar num projecto futuro.