Três anos após Heads Up e Com Fim Na Mente, o rapper Sphex está de volta com um novo EP. Espécime foi lançado a 10 de Janeiro e conta com instrumentais mais acelerados e próximos do trap, nos quais o MC debita os seus jogos de palavras numa “viagem” não muito intencional, mas que acabou por resultar neste disco.
Em declarações ao Rimas e Batidas, o rapper da zona da Serra da Estrela fala do seu novo disco, das diversas colaborações e de como se agarrou a beats distintos para este projecto.
Espécime é o sucessor de Heads Up e é um EP que tem uma estética mais trap e acelerada, embora inclua algumas faixas de recorte mais clássico. Começaste a interessar-te mais por estas sonoridades?
Sim, pode-se dizer que foi um pouco por aí. Apesar de sempre ter seguido mais ou menos a mesma linha, nunca me decidi fechar numa caixa. Acontece que nos últimos tempos tenho explorado um bocado outros BPM e gostei do resultado.
Sentes que a tua abordagem enquanto rapper mudou tendo em conta a velocidade e a estética dos beats?
Para ser sincero, nunca dei por mim a pensar sobre isso. Sempre fui muito de me deixar levar pelo que as batidas me transmitem e sinto que a abordagem foi sempre a de me conhecer melhor a cada batida e de certa forma me testar a remar por outras águas.
O Espécime tem algum conceito que queiras desvendar, ou foi sobretudo uma colecção de temas?
Voltando a pegar mais ou menos no que disse antes, acho que encarei este projecto mais como uma viagem até chegar aqui do que propriamente algo com um fio condutor. Talvez tenha sido o único projecto em que acabei por juntar faixas soltas e que senti que, de certa forma, juntas, acabam por fazer sentido para mim.
Fala-me também das colaborações. Como chegaste a estes nomes?
Neste projecto tive o prazer de contar mais uma vez com o Miikey, que, para quem acompanha a minha caminhada desde 2014, sabe que já contamos com vários temas juntos. Curiosamente, ao contrário do Heads Up, que contou com versos de vários artistas, desta vez o Miikey foi o único rapper a participar e foi também ele que me apresentou o instrumental do Syndrome.
Passando à faixa “Caixa Cheia”, onde, apesar de um grande instrumental do Lazy (Beatscuits), que já no meu último projecto se mostrou mega disponível para fazer acontecer, achei que faltava algo e parti logo para a ideia de tentar complementar o tema com um DJ. Foi aí que decidi abordar o DJ Maddruga, que além de ser um artista do caraças, também é um grande bacano e deu logo ao tema a força de que eu estava à espera. Assim que ouvi a faixa terminada, pensar num vídeo foi easy, juntei ao rap e ao DJ alguém que veste a camisola do break e o representa muito bem, a Tutti-frutti.
“Grifo” foi a primeira faixa que me fez “despertar” o gosto por escrever num instrumental mais acelerado e por isso tenho que agradecer ao Split.86 por de certa forma ter aberto essa porta. Desde aí acabámos por manter o contacto e foi daí que surgiu também a faixa “Tacuara”.
Já o tema “Santorini” partiu de um instrumental do Facto BSJ, e foi basicamente um reward pela vitória no primeiro Get Bars Challenge, organizado pela Get Money Collection. Tive ainda o prazer de contar mais uma vez com o Split.86 que, como ficou de fazer a mistura e masterização do tema, acrescentou umas cerejas no topo do bolo.
A faixa “Oniro”, que é talvez a que mais me toca por motivos pessoais, partiu de um instrumental de um dos muitos talentos da minha zona, Otura, com quem já tinha tido o prazer de trabalhar numa outra faixa. A mistura e masterização deste e do tema “Caixa Cheia” ficaram a cargo do Raze, não poderia deixar de dar um mega props por toda a força que me tem dado.
Tendo em conta o facto de seres da zona centro e do interior, sentes que ainda é um grande obstáculo fazer rap fora dos grandes centros, para chegares a um público maior?
Acho que infelizmente ser de fora das grandes cidades ainda tende a que a caminhada tenha que ser maior para se chegar onde quer que seja, não só para um artista mas em tudo um pouco. Mas sempre ouvi dizer que com trabalho tudo se consegue e eu estando a viver fora do país e mesmo assim encontrar tempo para fazer aquilo de que mais gosto é prova disso mesmo.