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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 28/06/2021

Nome fundamental da realeza musical do século XX.

Morreu Peter Zinovieff, o artesão sonoro que ajudou a preencher a enciclopédia da pop mesmo sem gostar dela

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 28/06/2021

Uma queda em casa foi fatal para Peter Zinovieff, noticiou o The Guardian durante o fim-de-semana. O inventor e compositor britânico tinha 88 anos.

Zinovieff será um nome que não ficará colado a um tema em particular, mas sim a um movimento. Tal como os produtores Joe Meek ou George Martin, fez parte da Inglaterra exploratória que nos finais dos anos 60 nos ofereceu um BBC Radiophonic Workshop — cujo material Zinovieff classificou de “bastante rudimentar” numa Red Bull Music Academy..

Nascido em 1933, e descendente de aristocratas russos, o engenheiro de som é considerado a primeira pessoa do mundo a possuir um computador numa casa particular, fazendo dele camisola amarela no homestudio. Máquina esta que era composta por geradores de som, moduladores e gravadores de fita, e comprada com o dinheiro que a sua esposa — não menos abastada — recebeu ao vender uma tiara de família. As suas dimensões gigantescas obrigaram Zinovieff a ter um anexo próprio.

Em 1967 fundou com Delia Derbyshire e Brian Hodgson os Unit Delta Plus e por essa altura também levou a cabo as primeiras actuações musicais conhecidas sem intérprete humano envolvido, somente um computador em palco em concertos esgotados e pouco ou nada compreendidos.

Depois, confessando não ter paciência para todo o artesanato de cortar e colar fita magnética, criou, no último ano da década de 60, com dois comparsas, a Electronic Music Studios (EMS), empresa que desenhou sintetizadores como os portáteis Synthi AKS, o VCS 3 ou o Synthi 100. 

O desinteresse de Zinovieff pela pop não afastou a pop de se interessar em si: principalmente as duas jóias da coroa portáteis da EMS — AKS e VCS 3 —, que entraram imediatamente na música de Brian Eno, Tangerine Dream, Klaus Schulze, Pink Floyd ou do brasileiro Jorge Antunes.

De facto, a EMS era uma das únicas quatro companhias a fabricar sintetizadores no final na década de 60, a par das americanas Moog, ARP e Buchla. O seu sucesso não foi, no entanto, suficiente para prevenir que no final dos anos 70 a EMS entrasse em falência total e todo o seu espólio maquinal fosse parar a um edifício estatal que algum tempo depois sofreu uma inundação onde tudo se perdeu. Nas últimas décadas estas máquinas desenhadas por Zinovieff e companhia fizeram parte do arsenal sonoro de Aphex Twin, LCD Soundsystem, Merzbow, Chemical Brothers ou Peter Kember.

Devoto admirador de Zinovieff, Kember compilou para a Space Age Recordings uma belíssima edição com trabalhos deste artesão sonoro que ajudou a preencher a enciclopédia da pop mesmo sem gostar dela.


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