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Fotografia: Cláudio Ivan Fernandes
Publicado a: 29/05/2024

Ace, Serial e Presto actuam no Super Bock Super Rock’24.

Mind da Gap sobre o regresso: “Para já, é este concerto. Vamos ver como é que corre”

Fotografia: Cláudio Ivan Fernandes
Publicado a: 29/05/2024

É uma das notícias que marcam esta semana no universo das rimas e batidas. Os Mind da Gap estão de volta oito anos após terem anunciado o fim do grupo para um concerto no Super Bock Super Rock’24 que está marcado para 20 de Julho. 

“Um ano ou assim após termos terminado começámos a receber alguns convites e passados estes anos sondámo-nos mutuamente sobre a possibilidade de, se voltassem a acontecer estes convites, se haveria abertura para voltarmos ou não para darmos um concerto. Respondemos todos positivamente e passado pouco tempo aconteceu este convite, portanto foi mais ou menos atirarmo-nos de cabeça sem aprofundarmos muito a questão, sem respirar muito. Decidimos aceitar”, explica Ace em declarações ao Rimas e Batidas. “Para já, é este concerto. Depois, logo se vê como é que a coisa corre. É um dia de cada vez e vamos ver o que acontece.”

O espectáculo vai acontecer em modo best of, com os Mind da Gap a tocarem os principais êxitos da sua história, que se iniciou em 1993 enquanto Da Wreckaz. “Todos Gordos”, “Bazamos ou Ficamos”, “Não Stresses” ou “És Onde Quero Estar” são alguns dos temas que provavelmente irão figurar no alinhamento.

É inevitável. Se tivéssemos o tempo todo para nós, poderíamos pensar noutro tipo de concerto. Sendo que temos um tempo limitado, porque é um festival…”, diz Ace. “Como é um festival, as pessoas querem ouvir um determinado tipo de sons. Não temos nada de novo para apresentar, portanto faz sentido darmos às pessoas o que elas estão à espera de ouvir”, acrescenta Serial. “Ao mesmo tempo, são as músicas que estão mais gravadas na nossa cabeça e que são mais fáceis de ensaiar e de relembrar, para não estarmos aqui a inventar muito. Serão os singles que todos querem ouvir”, diz ainda Ace.

Chegaram a equacionar tocar alguns temas mais obscuros da discografia do grupo, mas o pragmatismo de Presto rapidamente entrou em acção. “Chegámos à conclusão de que nem havia espaço para mais”, diz o rapper. Vão actuar apenas os três, sem qualquer banda ou DJ adicional, num “voltar às origens” que no máximo poderá contar apenas com um ou outro convidado.



Nesta fase, os Mind da Gap assumem-se expectantes. Oito anos não parece assim tanto tempo, mas o panorama da música e, sobretudo, do rap em Portugal alterou-se significativamente neste período. Ainda assim, um regresso destes só faria sentido num palco grande como o do Super Bock Super Rock, onde os Mind da Gap terão sido uns dos primeiros artistas de rap a tocar.

“Ao longo da nossa carreira fomos conquistando o direito a tocarmos nestes palcos, inclusive já tocámos no SBSR. Mais do que, se calhar, experimentarmos uma cena num palco mais pequeno, porque isso seria voltar à fase imediatamente anterior a termos acabado, que era quando já estávamos a cair… Estavam a surgir nomes novos e estávamos, basicamente, a ser ‘substituídos’ no mercado. E acho que assim faz muito mais sentido, porque é o lugar onde merecemos estar. E se for só este, se for uma coisa que vai acontecer só desta vez, pelo menos fizemo-lo em grande. E acho que era a nossa ideia: despedirmo-nos em grande e darmo-nos um fim diferente em relação ao que aconteceu anteriormente”, afirma Ace.

“Estamos expectantes, tanto da nossa parte como da parte do público. Ver como é que as pessoas vão reagir, agora a partir do anúncio e no próprio festival… Se ainda se lembram de nós, se ainda se lembram das músicas, quem é que vai estar, se é o pessoal mais antigo ou não. E também há expectativas da nossa parte. Isto é um bocado como andar de bicicleta, não se esquece, mas vamos ter que olear as engrenagens”, acrescenta Presto. “E um velhote de 50 anos anda de bicicleta de maneira diferente em relação a quando tinha 17 ou 20 anos”, diz Ace.

Serial recorda como, a partir de certa altura no percurso do grupo, os Mind da Gap foram “acusados pelo movimento” de serem “comerciais”. “E hoje em dia o rap não podia ser mais comercial. Vai ser engraçado ver… Nós sofremos com isso. E hoje em dia as pessoas poderão ter uma mente mais aberta. Ou não. Se calhar teremos de comprar software auto-tune porque o pessoal já não está habituado a ouvir alguém a cantar mesmo”, brinca o produtor e DJ. “Hoje em dia a fórmula está tão igual… Talvez também dissessem isso antigamente, mas acredito que haja alguma saturação, o mercado está saturado com esta electrónica no rap. Acho que há um som mais cru que vai voltar, acho que já se nota isso, porque há muitos putos a fazerem boom bap, e com uma visibilidade maior do que há uns tempos atrás.”

“E por isso até é fixe ser o festival que é, porque tem uma média de idades um bocadinho mais alta do que um Sudoeste, por exemplo. Por acaso aconteceu o convite para o Sudoeste também, mas foi melhor não se ter concretizado e termos ido para o Super Bock Super Rock, porque tem um público diferente, mais na nossa fatia do mercado”, acredita Ace. 

Quanto a outros projectos, Serial adianta que Pro’Seeds o trio que forma com Berna e DJ Score prepara-se para lançar coisas em breve. Já Ace anunciou nos últimos dias um EP produzido por Vilas Boas e Composto, cujo primeiro single é apresentado esta sexta-feira, dia 31. “Estamos só à espera de algumas respostas para termos uma data de lançamento. Em princípio, o álbum que fiz com o Sam The Kid também há-de sair, mais dia menos dia.”


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