O Festival Impulso volta a transformar as Caldas da Rainha num epicentro para a música portuguesa independente. Este sábado, 5 de Abril, Iúri Oliveira é um dos artistas que actuam no Centro Cultural e de Congressos da cidade, na segunda data desta edição, após performances de Linda Martini e Baby Berserk em Março. O percussionista e compositor tem estado a apresentar ao vivo o álbum Manifesto, o seu primeiro álbum em nome próprio, editado em Janeiro.
“O Manifesto trouxe-me acima de tudo uma colocação, um statement”, reflecte agora Iúri Oliveira em declarações ao Rimas e Batidas. “E dentro deste trabalho a solo, não quero ser apenas ordinário, quero ser extraordinário, único, com cunho e personalidade. Para chegar aqui, houve uma procura insana de trabalhos e conceitos ‘marginais’ — e não quer dizer ilícitos, quer dizer trabalhos e nomes que estão fora dos epicentros dos ouvintes — e apoiar-me nesses mesmos trabalhos para criar um conceito meu. Marcar a minha posição. Este disco veio inteiramente da minha imagética, sangue e história, sem pedir nada a ninguém.”
Iúri Oliveira diz ainda que o processo de construção de Manifesto o levou a “aceitar o erro” e o facto de que “nem tudo precisa de ser quantizado”. “Ao contrário de tantas outras produções com que trabalho, em que tudo tem de estar na grelha, esse erro pode transformar-se numa composição e é importante aceitar que somos seres erróneos. Como percussionista, não venho deixar traços e definir desenhos e figuras rítmicas banais, venho torcer compassos, colorir, manchar, causar caos e pormenores. Isto não é um disco de percussão, isto é o meu Manifesto. A minha masterpiece. Confesso que tenho a necessidade de perfeição, e de controlo, quer na minha vida quer no meu trabalho. A obstinação e resiliência são as minhas armas constantemente, esta peça em vinil é o meu corpo, mente e espírito. Este disco mudou-me, transcendeu-me. Pessoalmente, trouxe-me confiança e vontade de inspirar outros músicos, compositores, percussionistas, realizadores, de todo o universo que é a percussão, e, quiçá, haver daqui a 10 anos outros nomes emergentes, que possam usar o Manifesto como inspiração. Profissionalmente, sinto-me com a necessidade de levar a todos os ouvintes novas timbragens, novas maneiras de pensar percutido, mostrar ao público o que é um percussionista e no que este se pode multiplicar. É uma missão infindável.”
Os bilhetes para ver (e sobretudo ouvir) Iúri Oliveira estão à venda por 6€. Na mesma noite, toca no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha a cantora Lena d’Água. De resto, os concertos do Impulso prolongam-se até 7 de Junho, espalhando-se por vários pontos da cidade, como os Silos Contentor Criativo, o Museu do Hospital Termal e a Igreja de N.ª Senhora do Pópulo, entre outros locais. Deixamos em baixo a programação das próximas datas.
[11 Abril] Tomé Silva + roadkill + Maria Reis
[09 Maio] Três Tristes Tigres + Fidju Kitxora
[30 Maio] moisés + Joana Guerra + Subnoia + Bia Maria c/ Coro Social do Bairro + YAKUZA + Ideal Victim + Cobrafuma + Zancudo Berraco. Programação gratuita no âmbito do Caldas Late Night.
[31 Maio] MaZela + LEIDA + bbb hairdryer + Vaiapraia + Rizan Said + Agrupamento Musical Piscinas Municipais + Chat GRP + FOTOCOPIA. Programação gratuita no âmbito do Caldas Late Night.
[07 Junho] Sheherazaad + Rafael Toral
Iúri Oliveira sobre Manifesto: “O álbum é um continuum, está todo ligado, não há silêncios”