Igor C. Silva, nome que ecoa pelas veredas da electricidade, não se contenta com o passado, nem com as sombras do presente; ele constrói, com mãos etéreas, templos de som, em universos que não são deste mundo, mas que nele se reflectem como ecos em catedrais de vidro.
Entre a madeira e o metal, entre o digital e o corpóreo, há um espaço onde a sua música respira, um cosmos feito de luzes intermitentes e sons que falam, sussurram, gritam em frequência modulada. Não são apenas notas, são fragmentos de realidades paralelas, onde a guitarra eléctrica, com os seus pedais, dialoga com o som de um scanner, onde o baixo eléctrico abraça o vazio, e a percussão desfila num mar de ruído branco, rosa, vermelho — um espectro de cores que não se vêem, mas se sentem em modo glitch.
Se os olhos são as janelas da alma, os seus concertos são as portas para outras dimensões. Aí, a música é luz, é sombra, é tudo o que vibra em sincronias que parecem desafiar as leis da física. A luminotecnia não é mero adorno, mas sim o pulso que dá vida às suas composições, onde cada flash de luz é uma nota, cada sombra, um silêncio, e onde o som se veste de luz para dançar num palco que é todo o universo.
Igor, o escultor do invisível, aquele que molda o som como se fosse barro, não se limita ao que é terreno. As suas partituras são mapas de constelações ainda por descobrir, traços que descrevem o indizível, que guiam os músicos por trilhos onde as notas se entrelaçam em símbolos e gestos que só ele conhece. Não há tradição que o prenda, não há convenção que o domine; ele é a voz da modernidade, um oráculo que fala numa língua que poucos compreendem, mas que todos sentem nas suas entranhas.
Nascido no Porto, numa aurora tecnológica que anunciava o crepúsculo do século XX, Igor C. Silva emergiu do ventre urbano como um explorador de territórios sonoros, cartógrafo de paisagens inauditas. Desde os primeiros passos na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo, as suas criações foram mais do que simples composições; foram projecções de uma memória colectiva ainda não vivida, espectros de um futuro que se desenha a cada nota, um vislumbre de uma temporalidade fluída, onde o som se dissolve em vídeo, e a luz em memória.
[Glitch #01: “Smart-alienation” Num Ecosistema de Ruído e Desespero]
Som e vídeo, entrelaçados, inseparáveis, como se nunca pudessem existir um sem o outro. “Smart-alienation” é uma obra onde a fronteira entre o acústico e o electrónico desaparece, onde a flauta, o violino, o violoncelo, e a percussão encontram nas ondas digitais um reflexo de si mesmos. É uma composição de sons, de imagens, de choques e silêncios, uma tempestade de free-jazz e rock-noise, uma cacofonia controlada, onde o caos dança com a precisão.
O violino grita, não apenas notas, mas vozes de baleias em agonia, ecoando as dores do mundo, as feridas abertas das alterações climáticas. Sons que choram, que uivam, que se quebram, enquanto a flauta estala — slap, slap — dialogando com a gaguez da electrónica, numa conversa que nunca é suave, que nunca é fácil.
O vídeo, mais que uma imagem, é som, é ritmo, é instrumento. Muda, oscila, vibra, como se fosse um músico invisível. A música torna-se robótica, repetitiva, mas nunca monótona, sempre numa variação contínua, uma aliteração sem fim, onde o glitch é a assinatura, a marca inconfundível de Igor C. Silva. Sons presos, cortados, fragmentados, como um CD arranhado, como uma mente em colapso.
Os intérpretes, o Switch~ Ensemble, não são apenas músicos, são escultores de som, manipulando o caos, criando ordem a partir da desordem, virtuosismo puro, mas um virtuosismo que nasce da escrita, da notação brilhante de Igor, uma notação que não é apenas música, mas linguagem, um código para decifrar o desconcerto.
E então, a electrónica, a electrónica que às vezes toma o palco, se faz solista, se ergue acima dos outros, para depois desvanecer, evaporar-se no ar, como o silvo de uma cascavel, um som que avisa, que ameaça, que desaparece.
“Smart-alienation” não é apenas uma obra, é uma experiência, um mergulho no psicótico lírico, uma viagem onde a beleza e a violência se encontram, onde o som e o vídeo se fundem, onde o glitch é não apenas uma falha, mas uma nova forma de ser, de existir. Uma composição que nos deixa à beira, na borda do entendimento, mas que nos atrai, nos prende, nos obriga a olhar, a ouvir, a sentir. E quando termina, o som ainda vibra, ainda ecoa, como um fantasma que se recusa a partir.
[Glitch #02: “Numb”, O Pulsar da Luz e do Som Fragmentado]
Som do som, o som do saxofone, o som da eletrónica, o som do ruído, o som que é ruído, o ruído que é som. O saxofone barítono fala, fala, grita, grita, grita, não em palavras, mas em sons, em sons que cortam, em sons que rasgam, em sons que se repetem, que se repetem, que se repetem.
Ruído, ruído, ruído. Glitch, glitch, glitch. Gaguez sónica, gaguez sónica, gaguez sónica. O saxofone tropeça no som, o som tropeça no saxofone. A luz pisca, a luz pisca, a luz pisca. A luz que corta o som, a luz que corta o espaço, a luz que é som, a luz que é ritmo, a luz que é luz.
Catarse, catarse, catarse. O som como catarse, o som como grito, o som como som. Staccatos, staccatos, staccatos. Gritos, gritos, gritos. Som, pausa, som, pausa, som, pausa. Pausas que continuam, pausas que são som, pausas que são gritos. Granulação, granulação, granulação. Mais glitch, mais glitch, mais glitch.
O saxofone aproxima-se do jazz, do free jazz, do jazz libertário, mas é capturado, capturado pelo glitch, capturado pelo som que não flui, que não flui, que se corta, que se corta, que se corta. A electrónica responde, a electrónica fala, a electrónica interrompe.
Igor C. Silva compõe, compõe, compõe, mas a composição é ilusão, é ilusão, é ilusão. A improvisação é falsa, é falsa, é falsa. Cada gesto é planeado, cada silêncio é som, cada som é silêncio, cada som é som.
A luz não é apenas luz, a luz é som, a luz é som visual, a luz é instrumento, a luz é guia, a luz é luz. E no fim, no fim, no fim, “Numb” não é apenas ouvido, “Numb” é sentido, “Numb” é caos, “Numb” é ordem, “Numb” é beleza, “Numb” é som, “Numb” é silêncio.
[Glitch #03: “Static on my fingers” ou A Simulação do Ser no Vazio Digital]
A guitarra baixa respira,
respira na estática,
estática nos dedos,
nas cordas, nos dedos,
nos fios, nas veias, nos dedos.
A guitarra eléctrica sussurra,
um sussurro distorcido,
um grito abafado,
amassado em plástico,
em plástico e silêncio,
silêncio entre notas,
silêncio entre respirações,
silêncio no ruído,
no ruído de televisores,
televisores sintonizados,
sintonizados em nada,
em nada, em estática,
em estática nos dedos.
A percussão ecoa,
em címbalos de água,
água em garrafas,
em garrafas de plástico,
de plástico que amassa,
que amassa e estala,
estala em estática,
estática nos dedos.
O arco do violino,
raspa e raspa,
raspa e grita,
grita na corda,
na corda que treme,
que treme na electrónica,
na electrónica que se espalha,
que se espalha e cola,
cola nos dedos,
nos dedos que vibram,
vibram em vibrafone,
em vibrafone e estática,
estática que pica,
pica como pica-pau,
como pica-pau digital,
digital e crepitante,
crepitante como lareira,
lareira sem fogo,
fogo sem calor,
calor sem som,
som sem silêncio,
silêncio na estática.
O ebow desliza,
desliza e prolonga,
prolonga o som,
o som que é rastro,
rastro de glissando,
glissando e improvisação,
improvisação em sincronia,
sincronia de caos,
caos controlado,
controlado na raspagem,
na raspagem que marca,
que marca o ritmo,
o ritmo do scratch,
scratch na pele,
na pele do som,
do som que rasga,
que rasga e fere,
fere e ecoa,
ecoa em distorções,
distorções hendrixianas,
hendrixianas e reverberantes,
reverberações que se perdem,
que se perdem na calmaria,
na calmaria que esconde,
que esconde a tempestade,
a tempestade por vir.
Reiterações de silêncio,
silêncio entre ecos,
ecos de estática,
estática nos dedos,
nos dedos que tocam,
tocam e finalizam,
finalizam e libertam,
libertam o som,
o som na estática,
a estática na pele,
a pele nos dedos,
os dedos na música,
na música que termina,
termina em nada,
em nada e silêncio.
The end.
[Glitch #04: “My Empty Hands” ou A Arquitetura da Luz na Sinfonia do Espaço]
Esta é a voz da percussão, a voz da percussão. Este é o correio de voz da percussão, “please leave a message after the beep,” este é o correio de voz da percussão. Duas mãos, quatro mãos, mãos vazias, mãos cheias, mãos que tocam, que fazem sinaléticas, sinaléticas de humor, humor surreal, mãos que amassam, que amassam o plástico, plástico amassado, plástico amassado e sons, sons que ecoam, que vibram, que vibram na marimba, marimba que responde, que responde ao toque, toque que é escrito, escrito na mão, mão que fala, que fala em sinais, sinais de caos, sinais de controle, controle sem controle, “no control,” “no control.” O vibrafone sussurra, sussurra em estática, estática que se mistura, que se mistura com a flauta, flauta de êmbolo, flauta que ri, que ri em notas, notas que dançam, que dançam no ar, ar cheio de energia, energia de palavras, palavras de linguagem, linguagem informática, informática e polaróides, polaróides de som, som que se repete, que se repete e reverbera, reverbera em reiterações, reiterações de ruído, ruído de estática, estática nas mãos, nas mãos vazias, nas mãos que tocam, que tocam o caos, o caos e o rock, rock de intensidade, intensidade sem controle, sem controle e com energia, energia nas mãos, nas mãos vazias, mãos vazias de som, som que preenche, que preenche e some, some no final, final em silêncio, silêncio nas mãos, mãos vazias, “empty hands”. Esta é a voz da percussão, a voz da percussão: ”please leave a message after the beep,” esta é a voz, a voz da percussão.
[Glitch #05: “Plastic Air” e A Dualidade na Interpretação numa Estrutura com Flexibilidade]
“Plastic Air” (2017), revela-se como uma obra que desafia as fronteiras convencionais entre composição e improvisação, resultando numa experiência auditiva rica em contrastes. Esta peça, concebida como uma obra flexível, permite uma interpretação aberta, adaptável às mais diversas combinações instrumentais, o que sublinha a versatilidade do compositor e a sua capacidade de integrar diferentes vozes musicais num todo coeso.
Na interpretação específica por Igor C. Silva na guitarra eléctrica e João Miguel Braga Simões na percussão, a obra ganha uma dimensão única, onde a improvisação controlada se mistura com uma execução técnica precisa. A guitarra eléctrica de Igor, processada electronicamente, transcende o seu timbre natural, expandindo-se em texturas sonoras que oscilam entre o familiar e o alienígena. Ao mesmo tempo, a percussão de João Miguel Braga Simões adiciona camadas rítmicas que desafiam a linearidade, movendo-se entre padrões regulares e explosões de caos calculado.
A estética do glitch, uma constante na obra de Igor C. Silva, desempenha aqui um papel crucial. A introdução de falhas sonoras deliberadas, interrupções e fragmentações, não só desafia a fluidez habitual da música, mas também envolve o ouvinte num ambiente de tensão permanente. A estática, utilizada de forma estratégica, contribui para uma sensação de desconforto, criando uma paisagem sonora em que o ruído e a pureza se entrelaçam.
Outro elemento essencial nesta interpretação é a luminotecnia, que se revela virtuosa e em perfeito sincronismo com a electrónica e os instrumentos ao vivo. A luz não é meramente um complemento visual; ela atua como uma extensão dos sons, interagindo com a música de forma a intensificar a experiência sensorial do público. Este diálogo entre luz e som, caracterizado por flashes, estrobos e variações de intensidade luminosa, amplifica a sensação de imersão e destaca a relação simbiótica entre os diferentes meios expressivos utilizados.
Os glissandos na guitarra, aliados às repetições rítmicas e melódicas, criam uma sensação de movimento contínuo, onde o som parece escorregar através das frequências, desafiando a percepção tradicional de melodia. Este efeito, combinado com a gaguez sónica — um padrão de interrupções e hesitações deliberadas —, confere à peça um carácter imprevisível, onde a ordem e o caos coexistem numa dança complexa.
Embora a peça se apresente como uma improvisação, há uma evidente estrutura subjacente que orienta a interpretação. Esta “improvisação controlada” permite uma liberdade criativa dentro de parâmetros definidos, resultando numa performance que, apesar de parecer espontânea, é rigorosamente delineada. Esta abordagem reflecte a capacidade de Igor C. Silva conjugar elementos aparentemente opostos — liberdade e controle, caos e ordem — numa síntese coerente e impactante.
“Plastic Air” é uma obra que exemplifica a contínua experimentação e inovação na música contemporânea. Através da combinação de instrumentos acústicos, electrónica, glitch, e elementos visuais, Igor C. Silva cria um universo sonoro que desafia as convenções e convida à reflexão sobre os limites da música e da performance. A interpretação por Igor e João Miguel Braga Simões, com a sua mestria técnica e sensibilidade artística, sublinha a profundidade e complexidade desta obra, tornando-a uma experiência inesquecível para o ouvinte atento.
[Glitch #06: “Blindspot Box” ou Uma Sinfonia de Luz e Som no Limite do Invisível]
Som, luz, clarinete baixo a ressoar no vazio. O clarinete murmura, respira, e o silêncio corta como um fio de navalha. “Blindspot Box” é uma dança de gaguez, onde o slap do clarinete baixo ecoa, multiplica-se, encontra-se na electrónica que o repete, que o distorce, que o devora.
Luzes piscam, não como estrelas, mas como falhas, interrupções no fluxo da percepção. Vídeo em flash, em estrabismo sonoro e visual. O ruído branco, o sopro do caos, penetra o espaço, entrelaça-se com o som que, por momentos, apenas por momentos, se lembra de ser melodia. Melodia que se forma, que se dissolve, que se perde na violência calma da electrónica.
E então, silêncio. Silêncio que não é ausência, mas presença densa, palpável, cortante. Como uma pausa entre pensamentos, como um piscar de olhos num sonho. O clarinete volta, fala, dialoga com o vazio, com o que não está lá. A luz, essa luz que fere, que revela e esconde, que interroga o olhar, dança no escuro, mas não dança só. Está presa ao som, ao ruído, ao silêncio.
“Blindspot Box” é uma caixa fechada, uma armadilha de sensações, um puzzle sem solução. O som e a luz, a melodia e o ruído, tudo em contraponto, em contraste, em conflito. E nós, espectadores, ouvintes, perdidos no entrecortar das percepções, cegos para o que não podemos ver, surdos para o que não podemos ouvir. Na caixa, há um ponto cego, mas é precisamente nesse ponto, nesse nada, que tudo acontece.
É aqui que Igor C. Silva constrói, desconstrói, transforma o vazio em algo que se sente, mas não se vê. O som, a luz, o silêncio — todos se encontram, todos se perdem, todos são e não são, numa obra que é um flash, um piscar de olhos, um pensamento que nunca se completa.
[Glitch #07: “Your Trash” ou Um Espelho de Ruído e Silêncio na Era Digital]
Lixo, resíduos, ecos do passado digital. “Your Trash” é uma dança de sombras, sons e ironia, onde a percussão não é apenas ritmo, mas discurso. Accelerandos que correm, ritardandos que arrastam, como memórias que tentamos esquecer, mas que insistem em ficar. A obra, irregular, imprevisível, nasce e renasce como um solo improvisado de bateria, mas é tudo menos improviso, é tudo menos acaso.
No ecrã, uma figura emerge, um fantasma do mundo digital, apagando o seu rasto, o seu histórico. “Não estou a brincar”, diz ele, com uma seriedade que trespassa a ironia. E o percussionista, impassível, continua, como se o tempo fosse uma linha recta, mas sabemos que não é, sabemos que o tempo, aqui, oscila, flutua, entre o rápido e o lento, entre o caos e a ordem.
E então, as vozes, as vozes do palhaço, do McDonald’s, como um anúncio perdido na televisão. Ridículo e real, cómico e trágico, tudo junto, tudo misturado. E a peça, ela mesma, desenrola-se, calmamente, mas nunca de verdade calma, porque por baixo, por dentro, há uma tensão, uma corda esticada até ao limite. Virtuosismo a roçar a perfeição, porque na obra de Igor C. Silva, tudo é exacto, tudo é previsto, mas tudo é caos, um caos controlado, onde o glitch está sempre presente, sempre ali, como uma falha que revela mais do que esconde.
Na parte final, a violência, a loucura, tomam conta. Um acto psicótico, uma espiral de som e imagem que nos envolve, que nos arrasta. E então, uma voz feminina, uma súplica: “João, pára com essa merda, por favor”. Uma súplica que ecoa, não só no nome, mas na peça, na vida. É João, é o percussionista, mas é também cada um de nós, preso no ciclo, na repetição, no glitch da vida moderna.
“Your Trash” não é apenas uma peça, é um espelho. Um espelho de ruído e silêncio, de ritmo e pausa, de memória e esquecimento. É uma reflexão sobre o lixo que criamos, digital e mental, e sobre a luta constante para o apagar, para o controlar. Mas, no final, é o caos que reina, o caos controlado, onde tudo se desfaz, se recomeça, se recria. E nós, espectadores, ficamos a olhar, a escutar, a sentir, presos no brilho do humor, na força da ironia, no eco da voz que pede para parar, mas que nunca pode realmente parar.
[Grand Finale: Does Igor Dream of Electric Glitch? ou O Brilho De Mil Sóis]
Se a música de Igor C. Silva é um universo em expansão, então a luz é o seu horizonte de eventos. A interseção entre som, vídeo e luminotecnia nas suas obras não é um mero adorno estético; é a manifestação física de um processo sinestésico, onde o som se materializa em luz, e o vídeo reflecte o som. Em cada performance, o palco torna-se um espaço de interações cósmicas, onde as cores e as sombras dançam ao ritmo de frequências que se expandem, comprimem e se entrelaçam num ballet, de partículas, num espetáculo de luz e som que transcende a realidade tal como a conhecemos. A luz, nas mãos de Igor, é som materializado; um veículo para a expressão de ideias que vão além do tangível, do visível, e que se infiltram no âmago da consciência.
A improvisação na obra de Igor C. Silva não é apenas uma libertação dos grilhões da notação tradicional; é uma colaboração, uma fusão entre o humano e a máquina, onde a electrónica deixa de ser um mero instrumento para se tornar um parceiro de criação. A interactividade entre os performers e os meios multimédia é um diálogo constante, uma conversação em tempo real, onde cada gesto humano é respondido, amplificado, distorcido e devolvido pela máquina num ciclo contínuo de criação e recriação. Aqui, a música é viva, orgânica, um ser que respira, pensa e reage, num fluxo incessante de energia criativa que desafia as barreiras entre o homem e a tecnologia.
Igor C. Silva é um arquitecto de mundos, um construtor de realidades que, embora invisíveis ao olho nu, vibram em frequências que ressoam no âmago do nosso ser. A sua obra é um vislumbre de um futuro que ainda não vivemos, mas que já podemos ouvir, sentir e ver. Como um cometa que atravessa o céu da música contemporânea, ele ilumina caminhos que ainda não foram trilhados, desafiando-nos a seguir a sua caminhada de luz e som. Tal como o compositor Varèse, Igor não está à frente do seu tempo; ele é o tempo futuro que nos chama, um eco distante de uma era em que a música não será apenas som, mas a linguagem universal de uma nova humanidade. Igor sonha, sim, com glitches eléctricos, mas são sonhos que se realizam a cada acorde, a cada performance, transformando a nossa realidade numa ficção científica onde a música é a protagonista.
No cenário contemporâneo, Igor C. Silva é um cometa, atravessando o céu musical de Portugal e do mundo, uma luz que ofusca, que define novos rumos, que desafia as normas. As suas obras são como capítulos de uma ficção científica, escritas num tempo futuro, onde a música é mais que som — é espaço, é tempo, é matéria e antimatéria, tudo num só.
Quando o mundo se pergunta se Igor está anos-luz à frente dos seus pares, a resposta vibra na interrogação invertida: Não será o mundo que, preso nas engrenagens do passado, se esqueceu de avançar? Igor C. Silva não é apenas um compositor, é um visionário, uma voz que ressoa além do tempo, numa sinfonia que, no futuro, será lembrada como o princípio de uma nova era na música contemporânea. Ele é a faísca que acende a revolução sonora, uma faísca que arde com o brilho de mil sóis, um profeta do som, um arquiteto de utopias musicais, muito à frente do seu tempo.