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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 24/10/2024

O segredo mais bem guardado da música eletrónica catalã.

Hadren: “Eu gosto de música que muda a forma como se olha para ela num todo”

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 24/10/2024

O MIL, festival lisboeta de música emergente, tem vindo a mostrar ao público português o que se passa, cá dentro e lá fora, nas sombras. Dentro da sua seleção internacional, alguns dos artistas oriundos do nosso país irmão mais interessantes da atualidade tiveram a oportunidade de atuar. Só na eletrónica e subgéneros adjacentes, relembre-se a presença de Ikram Bouloum em 2021, DJ de ascendência marroquina que funde influências das suas raízes com música eletrónica avant-garde, ou TRISTÁN!, no ano passado, um inovador do hyperpop e electropop que é parte integrante da editora espanhola do momento, Rusia IDK, que tem sob a sua alçada nomes como Ralphie Choo ou rusowsky. Se em 2023 foi o hyperpop madrileno que se afirmou no Cais do Sodré, este ano estava a música catalã em destaque: Hadren é potencialmente o artista mais interessante e com o som mais distinto de todos os que já foram aqui mencionados.

Foi numa luta contra o tempo, com um voo para apanhar às quatro da tarde, que Hadren se encontrou connosco no Hub Criativo do Beato, onde decorria a convenção do MIL, no dia 27 de setembro. A verdade é que nenhum de nós esperava que esta entrevista fosse acontecer, tendo resultado apenas de um impulso que surgiu ao assistir ao concerto dele, à meia-noite desse mesmo dia, e de uma pequena conversa no final deste. Tínhamos boas razões para isso: contavam-se à volta de 20 pessoas no LISA, mas sentimos imediatamente que estávamos a assistir ao concerto mais surpreendente de um ano que foi recheado deles. Se há uma coisa que Hadren faz especialmente bem, é precisamente surpreender tudo e todos.

Basta escolher duas ou três músicas ao acaso da discografia do produtor e intérprete para entender o que se quer aqui dizer. Ouvir Hadren é ir desde o ambient ao techno, passando pelo hyperpop ou pelo reggaeton, e por isso se torna tão interessante toda a obra que pudemos descobrir nas plataformas digitais, mas foi em palco que ele realmente nos cativou. Mais do que um músico, estamos a falar de um artista que divide igualmente o seu tempo entre o design gráfico e a arte visual, além das artes performativas. No formato ao vivo, todas estas características são expostas, gritando unicidade. A sua presença avassaladora em palco já lhe garantiu uma presença na edição deste ano do Sónar Barcelona, mas não é por isso que ele parou de se desafiar no seu trabalho como artista e produtor. 

A conversa que tivemos refletiu a sua versatilidade. Falámos de performance, da Ruta del Bakalao, e de paralisia do sono.



Queria começar pelo teu concerto aqui no MIL. A forma como ages em palco e o conceito por detrás da tua performance faz quase lembrar a ideia de “white gallery”, como se estivéssemos a assistir a uma performance pós-modernista. Como é que chegaste a este conceito, em que a música quase parece ser um pano de fundo para o que acontece efetivamente? Tens alguma referência ou referências para o que fazes ao vivo?

Para mim, é algo bastante natural. Adoro quando artistas têm versões especiais das suas músicas ou fazem algo diferente nos seus concertos, desde intros até à conexão das músicas entre si. Por isso, quis experimentar com a apresentação das minhas músicas num contexto de concerto para proporcionar uma experiência especial a quem assiste. Quando comecei a ver padrões dentro do meu trabalho, decidi que devia fazer algo com isso, criar um percurso em que se entra e não se sai até ao fim.

Sim, fiquei com a ideia de que a tua performance estava construída para ser ouvida de uma vez, como num DJ set, mas sem que sejas propriamente um DJ. Fico curioso se tens referências específicas em relação a isso ou se foi uma ideia que te surgiu.

Eu tenho bastantes referências musicais, mas talvez não em relação às performances. Só quero que o espetáculo não acabe até acabar. Detesto quando as pessoas aplaudem a meio do concerto. Quer dizer, adoro, claro, mas ao mesmo tempo é tipo: “Ainda não acabei!” [Risos] Basicamente, tentei arranjar uma forma de fazer o público pensar que não tinha acabado através do som. Se não houver silêncio, as pessoas pensam, “Ok, isto continua”, e a energia fica “presa” até ao fim e quando ela sai é mais impactante. Se for alguma coisa a meio, como um “wooo” aleatório, não me incomoda muito, mas detesto aquelas coisas como “Ok, esta música é sobre…”, não o quero fazer. Para mim, não tem lógica porque interrompe o flow da performance.

Também estou curioso em relação ao que achas sobre o termo hyperpop como definição do que fazes, porque ele tem-se tornado neste umbrella term que resulta numa espécie de paradoxo em que tudo é considerado hyperpop. O que é que sentes em relação a essa caixa? Identificas-te com ela?

Eu considero-me um designer de som antes de tudo, porque estou mais focado em criar sons do que outra coisa, mas é natural que me considerem um artista de hyperpop. Algumas características da minha música, como as vozes pitched up, a percussão rápida, os vocal chops ou as minhas melodias são elementos que associas ao hyperpop, mas eu gosto de as misturar com outros géneros como ambient, club music, ou coisas mais experimentais. Eu tento fazer a minha cena, no fundo. Mas a SOPHIE criou o hyperpop, e eu adoro a SOPHIE, por isso… Só porque tudo é hyperpop hoje não significa que a sua estética desapareça, e eu identifico-me com ela, definitivamente.

Queria voltar às tuas performances, porque vejo-as mais como espetáculos audiovisuais do que simplesmente concertos. Tu estudaste design gráfico, e pensaste em estudar fotografia, mas a música meteu-se pelo meio, por isso a minha questão é sobre como esse background influencia o teu processo criativo. Tens imediatamente uma referência visual ao criar um instrumental ou uma música?

Acho que este concerto no MIL pode ser um bom exemplo para explicar o meu processo. Foi muito difícil para mim fazê-lo, pelo espaço reduzido que tinha para trabalhar. Apresentei um conceito muito semelhante no Sónar Barcelona este ano e foi completamente diferente, tínhamos técnicos de luz, cenógrafos, etc. Não tínhamos nada disso no LISA, e por isso a parte visual foi… [suspiro]. Eu fiz o melhor que conseguia com o que tinha, mas pronto. Este conceito foi desenvolvido com o Joel Izeon, o meu melhor amigo, e nós pensámos o espetáculo visual e as conexões que podíamos fazer juntos. Ele é o meu braço direito na direção criativa dos meus concertos. Mesmo tendo as minhas próprias ideias e experiências, é sempre ótimo colaborar com outros criativos porque torna-se numa troca, e teres alguém em quem confias do teu lado que pode dizer “sim, isto é bom, mas aqui podes alterar isto ou aquilo” é muito bom porque torna-se numa espécie de “ping-pong” que jogas com a outra pessoa.

Ainda assim, para contextualizar a tua performance ontem, e apesar de entender a frustração, como criativo, de não poder cumprir a tua visão, tendo estado do lado do público, senti que a sala ser mais pequena contribuiu para uma dimensão íntima do concerto, além do facto de teres sido tu a montar tudo. Achas que há algo de positivo a tirar desta experiência? Ou foi mesmo uma situação em que pensas não ter conseguido fazer o que querias, efetivamente?

É, sem dúvida, mais íntimo, estava mais próximo das pessoas, mas foi difícil, prefiro ter o material todo. Mas, ao mesmo tempo, acho que no teu processo criativo tens de conseguir dar o melhor de ti independentemente dos recursos que tens. Portanto, fui para o LISA a pensar: “Ok, estas não são as condições ideais, mas vou dar o meu melhor”. Penso sempre assim, e acho que sou capaz de me adaptar, gosto de me desafiar, e saí do concerto a pensar: “Ok, eu consigo fazer isto, não preciso do equipamento todo para mostrar a minha qualidade.” Se tiver tudo o que preciso, isso é ótimo, é melhor, mas se não tiver, vou defender a minha arte.

Teres mencionado que tocaste no Sónar Barcelona este ano lembra-me da entrevista que deste à VEIN Magazine em 2020, quando lançaste o teu primeiro single, na qual mencionaste, precisamente, que gostavas de estar a tocar no Sónar ou no Primavera Sound em 5 anos. Imagino que viver em Barcelona e ter dois dos maiores festivais de música da Europa à porta de casa te tenha dado inspiração para criar. Podes falar um pouco disso?

Especialmente o Sónar, influenciou-me imenso. Eu estive no festival pela primeira vez com 16 anos, a minha mãe ofereceu-me o bilhete nos meus anos. Fui sozinho, porque não conhecia ninguém naquela altura que fizesse música ou estivesse interessado em música eletrónica. Estava a começar a criar, e foi lá que percebi que era possível, estás a ver? Pensei: “Vai ser difícil, mas eu quero estar aqui, quero tocar aqui”. Transformou a forma como via a criação musical e o que é que significava ser um artista.



Queria lançar uma dicotomia muito atual no que toca à forma como nos vemos e somos vistos. Cada vez mais pensamos no que os nossos corpos físicos influenciam a nossa perspetiva do mundo, mas ao mesmo tempo, através dos nossos corpos virtuais e presença online, podemos estar desconectados da nossa realidade física e identidade implícita. Ligando isso à forma como usas o teu corpo em palco, numa filosofia de liberdade e empoderamento, e à apresentação do teu trabalho visualmente, que trabalham essa contradição aparente, como é que isso contribui para a tua identidade como artista e como pessoa?

Vi um documentário sobre a Arca há uns tempos, e ela disse uma frase que me marcou: “Eu pretendo libertar-me da vergonha e do olhar do patriarcado através da performance.” Quando a ouvi, pensei para mim: “Eu acho que isto é já o que estou a fazer, mas não conseguia metê-lo em palavras antes”. Quando estou em palco, tento sempre lembrar-me da expressão “dança como se ninguém te estivesse a ver”, porque lá está, não conseguimos controlar o que é que o público pensa. No palco, sinto-me como se estivesse sozinho, e estando sozinho, não sou nada, sou apenas a minha música, a minha arte. Não estou a pensar se sou gay ou se não sou gay, se sou isto ou aquilo, estou ali, naquele momento, a aproveitá-lo.

A tua música está inerentemente ligada ao movimento. Basta ouvir os teus temas para se sentir uma ideia forte de fluidez, de corpos que se movem, não necessariamente a dançar, mas a mover-se livremente, em concordância com a música. No teu processo criativo, pensas sobre como é que a música se pode traduzir em movimento, em dança, e na tua performance no palco por exemplo?

Acho que penso passo a passo. Quando estou a criar, estou apenas a aproveitar o momento — se estiver a dançar é bom sinal. Se estiver imóvel a fazer um beat há algo de errado com o que estou a fazer. Mas não estou a pensar no que vai acontecer a seguir, criativamente. Só quando acabo a música é que começo a pensar sobre o que é que posso fazer com ela a nível visual ou performativo. Mas às vezes, nesse processo, volto atrás e altero a música para coincidir melhor com o imaginário que estou a criar. É algo como: “Ok, a música está acabada, mas agora é sobre estar na discoteca e ligar a um hot boy, então se a música é sobre ligar a alguém, vou adicionar sons de uma chamada ao beat.” Portanto, está tudo conectado, mas da mesma forma acho que é importante terminar o processo. Eu acabo o instrumental, e só depois sigo para a letra, depois para o conceito visual, e por último para a performance. Se sinto que preciso de mudar alguma coisa, volto atrás. Eu também tenho a vantagem, no que toca aos meus concertos, de ter os stems das músicas que faço, porque produzo tudo sozinho, e por isso posso criar versões das músicas para as performances mesmo quando já foram lançadas. Posso ver a reação do público e das pessoas à minha volta e adaptar as canções para o objetivo que tenho quando atuo.

Falemos um pouco das tuas influências, porque podem-se ver imensas coisas diferentes na tua música, desde o ambient, nomes como Aphex Twin ou Oneothrix Point Never, mas ao mesmo tempo alguns mais esperados como Arca, SEVDALIZA, e até, como mencionaste numa entrevista, Thom Yorke. E eu pensei imediatamente no Kid A, por exemplo. Gostava de saber então como é que esse álbum te influenciou.

Sinceramente, não sei. O meu gosto musical é uma amálgama de imensa coisa. Oneothrix Point Never destaca-se, sem dúvida, e Arca, claro. Também Sega Bodega e SEVDALIZA, mas os projetos mais antigos, porque os dois mudaram imenso. Mas é difícil identificar álbuns específicos, porque ouço mais as músicas individualmente do que exploro álbuns inteiros. Claro que se gostar bastante de uma música vou explorar o artista e talvez um álbum ou outro, mas gosto de fazer playlists gigantes com imensa coisa diferente toda misturada. As minhas referências estão muito dentro da eletrónica, mas ao mesmo tempo é um pouco de tudo, estás a ver?

Há alguma música, ou álbum, ou artista da tua infância e adolescência que ainda te influencie hoje?

O “Retrograde”, do James Blake. Acho que essa mudou-me a vida [risos]. Ou Jamie XX, o In Colour, mudou a minha perspetiva completamente. Quer dizer, o “Sleep Sound” foi “feito” para pessoas surdas [referência ao videoclipe desta música e à colaboração com o Manchester Deaf Centre], há um grande foco nas vibrações, e eu fiquei tipo: “Uau, ele está a fazer música para pessoas que não conseguem ouvir, isso é incrível, se ele consegue fazer isso eu consigo fazer muita coisa”. Eu gosto de música que muda a forma como se olha para ela num todo. O KiCk i, da Arca, ou o Stretch 2, foram álbuns que me deixaram estupefacto quando os ouvi pela primeira vez, por exemplo. Na altura, quando estava a descobrir este tipo de coisas, era tudo novo para mim. Os meus pais não ouviam nada disto. Outros artistas como alt-J ou Mount Kimbie são referências ainda mais antigas. O primeiro concerto a que fui na vida foi de Mount Kimbie, quando tinha quinze anos.

Uau, quem me dera [risos]. Ainda não tive oportunidade de os ver.

Ya, eles são tão bons, mas já mudaram imenso. Mas sim, há uma data de nomes que me mudaram a perspetiva ao longo do tempo. Quando era mais novo, era isto que ouvia e que me influenciava, mas agora é muito diferente, há imensa coisa muito fixe a ser feita, nem sequer tenho tempo de acompanhar, de ouvir tudo como deve ser. E tenho de fazer música também! [Risos]

Isto levanta uma questão interessante. O que é que os teus pais ouviam na tua infância?

O meu pai era DJ. Não soube disso durante imenso tempo, nunca o vi a fazer beats ou algo assim, mas ele ouvia muito música do tempo da Ruta del Bakalao [movimento clubbing espanhol dos anos 80 e 90, nomeadamente em Valencia], os hits de eletrónica, estás a ver? É engraçado, porque é um som que está a voltar, de certa forma; é prova da natureza cíclica da música. A minha mãe costumava ouvir os CDs de compilações da Pioneer [CDs editados pela editora espanhola Blanco y Negro, que juntavam hits de EDM internacional na década de 2000], tinha especificamente os volumes 7 e 8 em casa, com músicas como o “Infinity 2008”, de Guru Josh Project. Basicamente, cenas muito mainstream. Mas eu acho que o gosto musical dos meus pais me influenciou bastante, eu só me tornei mais experimental.

A comunidade e o meio em que um artista se encontra é extremamente relevante para o trabalho que faz e para entender as suas motivações. O teu LP, Soul Blackout, tem um som muito particular, que me transporta para um espaço de clubbing bastante dreamy e surreal, e quero então perguntar como é que a noite de Barcelona te inspirou a criar algo tão único.

Não tenho a certeza porque não diria que o meu LP foi muito inspirado pelo clubbing; não estava muito dentro disso nessa altura da minha vida. Este álbum foi mais influenciado pelos meus pesadelos e pela ansiedade que tinha nesse período. É um álbum muito sombrio, na minha opinião. Senti que não era só eu que o estava a criar, que os episódios de paralisia do sono de que sofria na altura estavam a levar-me a criá-lo, de alguma forma. Via esta figura azul e sombria nos meus episódios e sentia que era esse vulto que estava a fazer o álbum por mim, se é que isso faz sentido. Eu tenho músicas nele sobre a morte, ou sobre ser comido por um homem gigante, e pensava: “Eu não sei porque é que estou a fazer isto”. Eu acho que, no álbum, estes pesadelos foram a influência principal. Depois, para a identidade visual dele eu apoiei-me neste vulto azul, pintando-me de azul, que foi uma forma de fazer as pazes comigo próprio. Foi um processo mais introspetivo.

Então, a direção que vemos neste novo trabalho que tens vindo a lançar, como o teu single mais recente, “HOT BOYS CLUB”, é mais influenciada pelo ambiente exterior em que estás inserido do que no álbum, assumo eu.

Sim, esta nova direção vem do desejo de ir sair para uma discoteca e ouvir a minha própria música, ou música semelhante que me faz querer dançar, mas sonhar ao mesmo tempo. 

Significará isto que vamos ver um “novo” Hadren num futuro LP?

É um Hadren diferente, mas é o mesmo Hadren, porque a natureza de Hadren é a mudança. Quando comecei a fazer música e o Soul Blackout, fui por um caminho muito experimental, mas não posso dizer que me tenha encontrado a mim próprio nele. Acho que estava a tentar agradar ao meu pai, e não estava a ser verdadeiro comigo. Por isso, comecei a pensar em novas texturas, novos sons, que eram mais “eu”. Criar o Soul Blackout tirou-me 3 anos da minha vida, e ao longo desses anos comecei a gostar de música diferente, como reggaeton ou novos subgéneros de música eletrónica, coisas que sempre tinha detestado, porque ainda estava preso à visão dos meus pais, mas comecei a apaixonar-me por estes ritmos. Quando lancei o álbum, já estava num ponto diferente, já não estava tão apaixonado por esse som experimental. Então, comecei a fazer coisas mais convencionais, como o “Un niñato en mi cama” ou o meu EP AAAaaahhhhh!!!!, e fiz as pazes com o mainstream, ou mesmo com tudo no geral. Percebi que podia fazer o que quisesse com a minha música, seja numa filosofia mais mainstream ou mais experimental. Agora faço finalmente a música que quero mesmo fazer, comercialmente mais viável talvez, mas que reflete mais quem sou, julgando-me cada vez menos. Por isso sim, pode-se esperar uma direção que se apoia mais na club music para o meu trabalho, apesar de continuar a ter influências da música experimental. Agora quero simplesmente dançar.


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