Na passada semana encontrei o Davidson e falámos um pouco. Estes encontros eram frequentes, vivemos perto, e ele sempre foi um daqueles manos de sorriso largo e coração aberto. Até mesmo no tempo dos Nexo, em que o mindset era mais rua, ele e a Shiva sempre me receberam como família. Gente boa mesmo.
Enorme como rapper e como homem, dono de uma voz profunda e rasgada, estilo DMX, fez parte dos lendários Nexo e meteu o nome de Almada no mapa como poucos. Gravou mixtapes com os DJs de topo da altura, cantou em inúmeros palcos com bandas de norte a sul do país.
Isto aconteceu. Nós vimos. Nós ouvimos. Em Portugal parece que guardamos em segredo grandes talentos que surgiram numa época em que o rap não existia mediaticamente. Não se encaixam nas páginas da história, demasiado “underground” para gerarem atenção. Não lhes damos as flores merecidas em vida, perante o público do estilo que eles criaram a custo quando ser rapper não era uma “cena” e, sobretudo, não dava dinheiro. Acreditem que há muitas histórias para serem contadas, a do Davidson é mais uma.
Ele partiu. Na nossa última conversa disse-me: “Pareces cansado, tens de descansar mais. Dá valor ao que tens.” Todos devíamos fazer o mesmo.
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