“A vida é o que acontece enquanto se faz planos…” É assim que Claudjin abre seu mais recente EP Contra-Ataque, uma colaboração dinâmica e acertada com o produtor Babidi lançado pelo selo Sujoground em julho deste ano. O projeto é um dos 10 que já foram lançados pelo selo só em 2024, todos com altíssimo nível de qualidade em termos de conteúdo e produção.
Contra-Ataque, que também conta com participações de LP Beatzz e Matheus Coringa, marca o retorno de Claudjin à cena musical após um período mais reflexivo. O EP reflete um momento em que ele sentia que estava apenas se defendendo diante das situações da vida, mas decidiu mudar essa postura. “Eu tinha um projeto chamado Marginal Tech, que misturava drill com a cultura suburbana, e lancei três singles em 2023. Quando o projeto chegou ao fim, eu pensei em parar com a música. No entanto, no final daquele ano, conheci o Babidi através do LP Beatzz. A conexão foi rápida, e a ideia do EP surgiu daí. A parceria fluiu naturalmente. Eu me sentia recuado, como se o tempo estivesse acabando, e esse projeto foi a virada que eu precisava”, explica o MC em entrevista para o Rimas e Batidas.
A cena atual do rap tem se rendido cada vez mais a fórmulas comerciais, priorizando batidas fáceis e refrões repetitivos. Enquanto isso, Contra-Ataque se destaca por sua autenticidade e regresso às raízes. Claudjin aposta na essência, resgatando as influências que moldaram o rap carioca dos anos 90 e 2000, com uma mistura equilibrada de ritmos e temáticas urbanas. Esse contraste evidencia a escassez de originalidade na produção mainstream do rap atualmente. O EP de Claudjin vem, então, como um fôlego necessário, uma resistência contra a padronização, visível através da integração de elementos de samba, funk e rap. O MC reflete: “Minha música é uma conversa, uma reflexão sobre os detalhes e contextos da vida, como se fosse uma lente que observa o cotidiano.” Essa abordagem é sentida em todas as faixas do EP. Para Babidi, além do rap, gêneros como o jazz, soul e a MPB vêm influenciando suas produções mais recentes. Ele cita, especialmente, o afro-samba e a bossa nova, que impactaram suas criações. A influência da cena carioca é evidente no trabalho, mas Claudjin também incorpora elementos de Belford Roxo e Niterói, ressaltando a diversidade de suas influências. “Minha escola sempre foram os sambistas. Acho que isso reflete no que escrevo”, diz o MC. Essa mistura de referências e vivências pessoais resulta em um trabalho autêntico, que combina as raízes da música urbana com a produção contemporânea.
Contra-Ataque também traz uma atmosfera nostálgica que nos remete à era de ouro do rap nacional, com referências a grupos como o Quinto Andar. “A capa do EP, feita pela Ana, capturou muito bem essa essência”, elogia Claudjin. “Quando vi a arte, me identifiquei. Ela conseguiu trazer toda essa energia urbana e o clima dos anos 90 que queríamos,” afirma. Em três meses, o projeto estava finalizado, e logo surgiu a parceria com Matheus Coringa e a decisão de lançar pelo selo Sujoground.
Babidi acrescenta que a parceria entre os dois ainda reserva outras novidades. Com mais projetos em desenvolvimento, ele e Claudjin estão empolgados com o que vem pela frente. “É algo novo, com frescor, que reflete o que o Claudjin quer transmitir e o que eu também estou começando a explorar”, comenta Babidi. Além disso, ele já prepara um novo trabalho solo, intitulado Depois que a água baixou, com lançamento previsto para janeiro do próximo ano, que contará novamente com a participação de Claudjin. O artista também tem grandes expectativas para o futuro, planejando novas colaborações e um EP a ser lançado até o final do ano, prometendo uma continuação de seu trabalho autêntico. Atualmente, Claudjin também está explorando novas sonoridades e colaborações, tendo produzido três faixas com o produtor holandês P.A.V., que chegou até o trabalho de de Claudjin e elogiou a autenticidade e a riqueza das influências presentes em sua música. Essas novas faixas misturam elementos do rap carioca com outras estéticas internacionais, e estão programadas para serem lançadas em breve, ampliando ainda mais as possibilidades criativas do MC.
Claudjin é um observador atento da vida ao seu redor, alguém que transforma suas experiências em música. O momento que o rap vive hoje é de uma busca quase cega por aceitação em massa, muitas vezes a custo da profundidade e da inovação. Artistas como Claudjin, porém, lembram que a força do rap sempre esteve na narrativa genuína e na conexão com as realidades daqueles que são marginalizados pelo sistema. Seu trabalho vai na contramão dessa tendência pasteurizada, oferecendo uma experiência que não só enriquece a cena musical, mas também provoca uma reflexão sobre o rumo que o gênero tem tomado. “Sou uma pessoa comum, que gosta de observar e sentir o que está à volta, e que precisa expressar isso”, finaliza. Contra-Ataque é um reflexo dessa essência, um trabalho sincero e original, disponível em todas as plataformas digitais.